02/09/2007 - "Chorei de amor"
Por Ana Valéria Lima

Jovem, bonita, esportista, estudante de Educação Física, filha dedicada, cristã e cheia de compromissos. Esse poderia ser o relato da vida de tantas jovens de 21 anos. Só que a jovem em questão não tem nada de comum, já que ela carrega no peito uma medalha de bronze. Pequena em estatura, mas gigante na prática do nado sincronizado, Gláucia Heier foi destaque nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007. E a atleta campeã arrumou um tempinho na volta de suas férias corridas para falar com nossa equipe.
Glaucinha, como é conhecida pelos mais chegados, tem que mostrar talento para cumprir a sua agenda de compromissos: ela estuda na UFRJ, treina no Clube Regatas do Flamengo, dá atenção à família, amigos e ao namorado Thales. Só mesmo com muito jogo de cintura pra conseguir dar conta do recado. Mal terminou o Pan do Rio, ela já se prepara para a Competição Mundial, o Synchro Swimming World Trophy, que acontecerá em outubro, aqui no Brasil. A menina que praticou ginástica artística dos três anos de idade até os nove trocou o esporte pelo nado sincronizado através do convite de uma amiga e precisou se dedicar para aprender a nadar em primeiro lugar. "Me interessei muito pelo esporte e resolvi mudar. Tomei a decisão em 1995 e na época eu não sabia nem nadar! Mas, por ter noção corporal e flexibilidade adquiridas na ginástica, as técnicas me interessaram e me ensinaram tudo o que precisei para seguir no esporte", diz Glaucia.
Determinação, disciplina e força de vontade são requisitos necessários para se chegar ao pódio. E, claro, a torcida da UMP e de toda a igreja também foi imprescindível para fazer a diferença. No dia 19 de agosto, domingo, parte da equipe de nado sincronizado e a técnica, Roberta Perillier, renderam graças ao Senhor no culto vespertino da Catedral. Elas agradeceram a Deus por tudo o que Ele permitiu e tem permitido que elas experimentem.
Gláucia nos contou sobre o trabalho em equipe, o Pan, os bastidores, a emoção dos gritos da arquibancada e, claro, como foi receber a medalha. Acompanhe essa entrevista deliciosa:
Quanto tempo de treino é necessário para o aperfeiçoamento de toda equipe?
Por ser um esporte que necessita de muito sincronismo, como já diz o nome, os detalhes se tornam primordiais e o tempo de treinamento para isso precisa ser longo. O tempo de criação da coreografia não é muito longo, em torno de 20 dias, mas o aperfeiçoamento demora bastante, de três a seis meses. A coreografia do Pan ficou pronta em janeiro, ou seja, foram sete meses de treinos e ajustes, sendo oito horas diárias, seis dias por semana.
Sua atividade requer concentração, união do grupo e disciplina. Qual a maior dificuldade?
A maior dificuldade de se trabalhar em grupo é saber entender a particularidade de cada uma, pois por mais que o objetivo seja o mesmo, cada uma do grupo encontra um caminho diferente. É preciso entender, ter paciência e confiar em todas. Isso é difícil, mas essa equipe vem trabalhando junta desde 2005 e nos conhecemos muito bem, sabemos o que cada uma faria em diferentes situações, o que facilita muito a convivência e ajuda no desempenho.
Dormir e acordar juntas tira o humor de vocês? Houve algum estresse durante as competições? Como foi essa preparação para o Pan?
Acho que às vezes realmente rola um mau-humor. Contudo, sabemos contornar a situação porque nos conhecermos bem, passamos mais tempo juntas que com a nossa própria família. A concentração foi super legal. Quando chegamos ao alojamento, as técnicas tinham feito uma surpresa colando fotos das famílias e amigos, da equipe em competições anteriores, mostrando tudo o que passamos para estar ali e todos os que nos apoiaram, com mensagens lindas. Foi ótimo, estávamos prontas e bem focadas no objetivo, sabíamos o que fazer e como fazer. Estávamos seguras, tínhamos uma equipe forte e uma comissão técnica muito competente, além de psicólogo, nutricionista, médica, fisioterapeuta, três técnicas e todos confiavam muito no resultado. Mas o que mais senti falta foi a minha família, meus amigos e meu namorado, que embora não estivessem presentes dentro da vila, sabíamos que todos eles torciam muito do lado de fora.
Há muitos esportistas cristãos que superaram seus limites através da fé. Como é manter uma relação com Deus durante um período tão desgastante de treinos, condicionamentos e preparação?
Deus precisa ser o seu maior companheiro, o melhor amigo. Sabemos que Ele é sempre refúgio e fortaleza, logo, mal nenhum te alcança. Sempre digo: Deus é justo! E parto do ponto de que temos aquilo que merecemos, nem mais, nem menos. Já pensei em desistir muitas vezes, principalmente quando o treino está pesado ou quando o ombro lesionado "grita". Também é difícil ter que abrir mão de lazer, amigos, família e estudo. Mas, quando sinto isso, leio na Bíblia um versículo que escutei na Escola Dominical em 2003, quando pensei em parar e Deus falou comigo: "Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus."(Fp 3.12-16).
O que você sentiu quando subiu ao pódio?
Uma emoção muito grande! Acho que era o Espírito Santo explodindo no meu peito. Olhei pra todos os que estavam ali: minha família, meus amigos, os irmãos que nunca tinha visto antes, aplaudindo, gritando, torcendo. Chorei de amor. Nunca vou esquecer aquele momento.
A intimidade da nossa campeã:
Time do Coração: Flamengoooooooooooo.
Comida predileta: Estrogonofe com arroz e batata ou camarão.
Cor: Verde.
Amigos: Força.
Sonho: Ir a uma Olimpíada.
Música: "Te agradeço".
Lugar que gostaria de conhecer: Ilhas Virgens.
Tem alguma mania?: Contar piadas.
Eu detesto... Mentira, falsidade.
Meu coração parou... Momentos antes de cair na água durante o Pan, quando anunciaram o Brasil e a torcida gritou. Eu me senti no "Maraca" em pleno Fla-Flu!
Quando estou de "bob" eu... Descanso, vou ao cinema, praia, estudo.
Melhor dia de treino foi... Três dias antes da competição. Dia 23, quando o Canadá, nosso principal adversário, aplaudiu o nosso treino.
Versículo favorito Fp 3.12-16
Pensamento: Carpe Diem.