30/07/2008 - Os Caminhos de Deus
Por Bia Amorim

Poderíamos até dizer que a quarta noite da Semana da Juventude começou com um sotaque diferente.
Você pode perguntar: “Uai? Que trem é esse, sô”. E eu te diria: “tudo bem, é um pouco de exagero”.
Só um pouco, já que o pregador convidado foi o Rev. Mario Henrique, da terceira igreja Presbiteriana de Belo Horizonte.
“E não, posso te afirmar que ele não tem sotaque e nem mesmo trouxe na bagagem os famosos pães de queijo”.
Pelo contrário, ele trouxe “na bagagem” uma mensagem especial do coração de Deus, para o coração dos jovens – de todas as idades.
Ao ler o texto de Atos 28, Mário Henrique destacou a história do naufrágio de Paulo e retirou dali importantes lições. Baseado no tema da SJ 2008 –
Identidade: qual é a sua? – o pastor alertou que existem situações na vida em que é muito fácil mostrar a sua identidade; em outras,
porém, a tarefa torna-se muito mais difícil e complicada.
A passagem conta que o destino de Paulo naquele momento de vida era Roma – lugar, aliás, para o qual ele se preparou para estar desde o começo de seu ministério.
Um naufrágio, no entanto, os leva para a Ilha de Malta. E a ilha de Malta nesse contexto simboliza tudo aquilo que a gente não planejou na nossa vida,
um susto, uma situação fora da expectativa. E sendo Malta um lugar não pretendido, será que consigo conservar ali a mesma identidade que em Roma?
O desafio não é saber quem você é na sua zona de conforto, mas como se apresenta principalmente quando a rota, os sonhos são desviados e suas metas são retiradas de você.
O que aprendemos com Paulo nas ilhas não pretendidas da nossa vida?
- Integridade – Paulo manteve um bom testemunho. Integridade é aquilo que você é o tempo todo, seja em um estádio lotado ou em um quarto escuro. Os bárbaros,
moradores locais, são tocados pela solidez desse homem.
- Utilidade – Paulo é usado por Deus para curar em Malta. A nossa tendência, no entanto, é buscar isolamento, quando desembarcamos em um lugar (situação)
não pretendido. Você pode ser útil em Malta, mesmo no meio da crise, basta deixar Deus agir através de você mesmo nos momentos cruéis.
- Humildade – Os bárbaros dispensaram um tratamento de singular bondade, porque Paulo estava pronto para servir e ser servido.
Para as pessoas que estão muito acostumadas a servir, ter que precisar de outro, ser servido é humilhante. Tem gente que não sabe receber.
Tem vezes que Deus nos prepara verdadeiros mimos divinos e a gente deve ter humildade para nos deixar surpreender.
- Durabilidade – Paulo passou cerca de três meses na Ilha. E vamos combinar que três meses é muito tempo para você permanecer
em um lugar onde você não gostaria de estar; muito tempo para se deixar de estar onde se sonha, onde se pretende, onde se quer.
Paulo mostra que nós devemos ter a capacidade de perseverar, mesmo quando o tempo se estende. É preciso permanecer empolgado e,
acima de tudo, é preciso permanecer. Como humanos que somos, chega uma hora em que a gente pode até estar perdendo o gás, mas quem persevera
“ganha pontos”, sai honrado para a glória do Senhor.
No final, Deus quer saber quem nós somos quando caímos em uma ilha onde não pretendíamos estar. Quando se tem uma boa identidade,
a gente reflete Jesus e é extremamente usado por Ele. Há caminhos que são portos de bênçãos para cada um de nós,
que são manifestações extraordinárias na nossa vida e ministério –aquilo que Ele quer de nós. Por fim,
devemos entender que é Deus quem mostra o caminho, mesmo quando é Ele mesmo quem dá a direção final.