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23/03/2008 -O juiz



O juiz de futebol sempre deu o que falar. Quase nenhum jogo é comentado sem que um torcedor apaixonado faça menção a alguma decisão do árbitro (que ele discorde, claro). O juiz é a autoridade máxima dentro de campo, mesmo quem não acompanha futebol sabe disso. Até porque possui vários aspectos que o assemelham aos juízes de Direito. Principalmente porque ambos foram colocados ali para uma função: julgar e dar o veredicto.

Nós não.

Mateus 7 é o relato de Jesus dizendo claramente para não julgarmos os outros, seja por que critério for (a não ser que você queira ser julgado com a mesma medida). Não somos juízes de ninguém, não temos capacidade soberana para executar com justiça essa função. Os crentes não têm mania de querer saber o que pode e o que não pode? Taí: julgar não pode.

Mas essa galera não dá muita atenção a tal detalhe. Até porque, se você se preocupa o tempo todo só “com o que pode e o que não pode”, é porque já se assumiu juiz dos outros. Leva sua vida gastando tempo, energia (e até mesmo a juventude) pensando que exortar é carta branca pra enquadrar quem quer que seja. Amor? No máximo, evocado como pretexto pra carnificina moral.

Queridão, desarme-se. Joga fora a toga postiça. Antes de fazer qualquer coisa, queira amar. Não é esse o maior dos mandamentos? No fundo, é uma questão de escolha: abraçar a vida em abundância ou preferir circular pelos cultos e acampamentos, etc feito um morto-vivo, achando que foi isso que Jesus ofereceu a nós.



Marcos André Lessa

Subsecretário de Comunicação
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