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02/09/2007 - Como tudo começou
Por André Aureliano

Lembro-me bem de uma ilustração que comparava o chamado de Deus para nossas vidas aos pilotos Kamikazes Japoneses da Segunda Guerra Mundial, que partiam para uma missão com combustível suficiente apenas para a viagem de ida e que depois de determinada distância não haveria como retornar ao local da decolagem. Este ponto - chamado de ponto de retorno - foi me apresentado como um desafio de entrega de vida a obra missionária e ao serviço do reino de Deus.

Isso foi num congresso de adolescentes, em 1996, um ano depois de confessar a Jesus como meu Senhor e Salvador. Chamo aquela data de: dia em que ultrapassei meu ponto de retorno. A partir daí não haveria como voltar atrás. Lembro-me das palavras de Jesus quando orienta que aquele que põe a mão no arado não olhe pra trás.

Passado aquele primeiro momento de alegria e euforia por ouvir a voz de Deus, procurei manter minha consciência sempre atenta aos sinais de confirmação que pudessem surgir. No começo do mesmo ano eu havia sido aprovado no vestibular para medicina na Universidade do Rio de Janeiro. Ser médico ou missionário? Eis a questão que se apresentou.

Orei com o pastor Haveraldo, e em meio a lágrimas e dúvidas Deus foi trazendo paz ao meu coração. Continuei meus estudos na faculdade de medicina. Sei que Deus chama, capacita e envia. No tempo dEle, no melhor momento, da melhor forma, conforme Sua soberania.

Inesperadamente no dia 18 de fevereiro de 2002 fui convocado pelo Exército Brasileiro para o serviço militar obrigatório como Médico na Região Amazônica e 5 dias depois eu embarcava sem entender o que estava acontecendo com o rumo da minha vida. Aquela convocação aprofundou a crise que eu vinha vivendo.

Eu sabia que Deus tinha os planos dEle, mas eu nem de longe conseguia entendê-los na época. Foi assim que 1 ano depois de ficar longe da minha cidade, voltei ao Rio de Janeiro com uma visão diferente quanto ao exercício da medicina.

Quero ainda destacar que no período em que estava na Amazônia pude conhecer o Rev. Ronaldo Lidório e sua família que estava há pouco tempo na mesma cidade, São Gabriel da Cachoeira. O Reverendo Ronaldo estava começando o trabalho de mapeamento de tribos indígenas não alcançadas pelo evangelho. Eu já tinha ouvido falar sobre ele e seu trabalho na África entre os Konkombas e achei curioso conhecê-lo em tão inusitada situação, justamente começando um trabalho em um novo campo.

Pouco mais de um ano depois de regressar ao Rio de Janeiro casei-me com Marcelle que viria a receber também um chamado missionário da parte do nosso Deus. Hoje percebo a orientação de Deus para o trabalho missionário em tempo integral. A minha vida foi convertida, modificada e conduzida por Deus. Qualquer outra expectativa de vida que não esteja relacionada à dedicação ao serviço do evangelho fará de mim um ser humano fora da vontade de Deus e, portanto sem a possibilidade de experimentar o que seja de fato uma vida com propósito.

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